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30 discos independentes lançados em 2021 que você PRECISA ouvir



Por Vinícius Vieira e Bruno Galiego


2021 finalmente acabou! Estamos aos 13 dias de 2022, com as esperanças de dias melhores, depois dos caóticos momentos que vivemos até aqui nos últimos anos.


Se 2021 foi tenebroso no aspecto político e, principalmente, diante da maior crise sanitária de todos os tempos, quem nos salvou foi a música, mais uma vez.


Em 2021 tivemos lançamentos antológicos, e as bandas do cenário independente, como sempre, capricharam e vieram repletas de novidades que merecem ser ouvidas e aclamadas.


A equipe do Seguimos Fortes selecionou 30 álbuns de artistas e bandas independentes, lançados em 2021, que você necessita ouvir. Lembrando que os discos não estão em ordem de preferência, crescente ou de qualidade, apenas listamos 30 discos que gostamos e que você deveria ouvir e conhecer melhor a trajetória de cada um desses artistas


Sem maiores delongas, vamos para a lista dos 30 discos independentes lançados em 2021 que você PRECISA ouvir



1 - 7Vidas - Facing Death

Em seu segundo disco, o primeiro todo em português, o trio jundiaiense Facing Death se libertou das amarras do hardcore melódico, passando a beber diretamente da fonte do rock suéco de The Hellacopters, The Hives, Backyard Babies e The (International) Noise Conspiracy, entre outros, parindo, dessa forma, um dos melhores discos do ano.

7Vidas segue a cartilha do seu antecessor, From Here to the Unknown (2019), tratando-se de um disco conceitual. A história contada no álbum é o caos e sofrimento que é viver no Brasil governado por Jair Bolsonaro.

Os principais destaques do disco são Limbo, Plágio, Homem Sujo, além do hard rock Efeito Imoral e a pesada Reis do Massacre, esta última com a letra escrita pelo Reverendo Bode, vocalista da banda Riffcoven.




2 - Let The Chips Fall - Garage Fuzz



O anúncio da saída do vocalista Alexandre Cruz, após 30 anos à frente do Garage Fuzz, um dos principais precursores do hardcore melódico no país, pegou de surpresa todos os fãs do quinteto santista. Mas o que era pra ser preocupação e desespero se tornou alívio e completa satisfação, com a chegada do Victor Franciscon (ex-Bullet Bane) e o lançamento do EP Let The Chips Fall.

Com apenas três músicas e 12 minutos de duração no total, o Garage Fuzz apresenta as suas melhores canções desde o álbum Fast Relief (2012). A faixa de abertura Elephant, pode ser considerada o melhor single de 2021, enquanto a veloz Letter From a Hero - no qual Victor homenageia o seu falecido gato - e Gambling, mostra que a banda ainda tem muita lenha para queimar e muito a nos surpreender.




3 - Ninho de Rato - Surra



A banda mais prolífica e produtiva do underground nacional surgiu com mais um lançamento de primeira em 2021. Ninho de Rato, o quarto álbum de estúdio (sem contar os singles e EPs) do trio santista Surra, traz a banda tocando um grindcore veloz, sujo e pesado, com menos de 10 minutos distribuídos em 12 faixas, que além dos covers de Hang The Pope do Nuclear Assault e Convivência do Cruel Face, influente banda de grindcore do ABC Paulista, o disco vem com 10 músicas inéditas que foram compostas e gravadas pelo baterista Victor Miranda na dispensa da sua casa e enviadas para o resto da banda criar e compor em cima das velozes linhas de bateria. Desse processo incomum de gravação surgiram hinos do tamanho de No Lixo, Guerra Suja, Bolso Cheio, Acreditam em Tudo, Roendo o Osso e Brasileiro, Otário e Triste.




4 - Volume 1 - Boca de Lobo



Formada em 2013, no lado esquecido da cidade de Jundiaí (SP), o quinteto de thrash punk, Boca de Lobo, finalmente lançou o seu tão aguardado primeiro disco. Como o próprio título sugere, Volume 1 é quase que uma coletânea da banda, trazendo todas as músicas do grupo desde a sua fundação, sendo que algumas já haviam sido apresentadas nos trabalhos anteriores, como na Demo (2015) e no EP Relatos do Lado Esquecido (2019).

Gravado no Eguchi Estúdio em Jundiaí, Volume 1 carrega consigo toda energia, peso, atitude e as diversas referências sonoras da banda que passam por nomes como Power Trip, Turnstile, Municipal Waste, Cro-Mags e Negative Approach, que podem ser sentidas nas canções Zumbis das Madrugadas, Modismo, Justiça ou Vingança, Caráter das Ruas, Fortes e Garotos e Garotas.


5 - Caos-Povo - Sendo Fogo



Formado no Capão Redondo, terra do Cólera e dos Racionais Mc’s, durante o caos eleitoral de 2018, o power trio de grindcore e power violence Sendo Fogo lançou em 2021 o segundo trabalho autoral da banda, o disco Caos-Povo, com letras ácidas e letais que dialogam perfeitamente com o momento atual que estamos inseridos.

Os principais destaques do petardo apocalíptico sonoro do Sendo Fogo são as canções Queime Pontes, Libertar, Placebo (de autoria de Bruno Borges ex-Pode pá e Romantic Bipolar), Enterrem meu Coração na Curva do Rio tem um trecho de "Meio milênio de resistência", texto de Narubia Werreria, Iny da Ilha do Bananal (TO) e ativista ambiental indígena brasileira e Renato Russo Estava Errado, que traz uma letra realista de desesperança que encerra fazendo um contraponto a pergunta feita pelo líder da Legião Urbana na música Pais e Filhos, com a frase “Foda-se quem você vai ser quando você crescer”.




6 - Natural - Superbrava



Com quase quatro anos de atividades, o quinteto Superbrava, formado no litoral de São Paulo, na cidade de São Vicente, lançou no ano passado o EP Natural.

Nas cinco faixas do disco, o grupo passeia pelo chamado real emo de Hot Water Music, Farside, Jawbreaker, Sunny Day Real Estate, Sense Field, além de pinceladas na carreira solo de Bob Mould (ex- Hüsker Dü e Sugar) e entregam muita melodia em arranjos trabalhados, repletos de contratempos, como na faixa título e também nas canções Pílula, Peso de Tudo e na power pop Trilha.




7 - Abyss Of Lost Souls - Cerberus Attack


A chamada New Wave of Old School Thrash Metal é uma realidade no mundo todo. No Brasil, uma das bandas mais influentes que se enquadra nessa onda é o Cerberus Attack. Antes de falar sobre a magnífica obra, Abyss Of Lost Souls, é muito importante ressaltar que a banda está no cenário musical há 12 anos e possui uma discografia com cinco trabalhos. O quarteto de São Mateus, zona leste de São Paulo, usou e abusou de toda experiência musical que possui. Abyss Of Lost Souls tudo é muito bem encaixado: os berros e as palhetadas rápidas de John França (voz/guitarra) alinham-se perfeitamente aos riffs e solos de Marcelo Araújo (guitarra). Marcelo Maskote (baixo) e Bruno Morais (bateria) são os responsáveis pelo peso e apresentam um nível de criatividade e perfeição absurdo. As composições de Abyss Of Lost Souls refletem perfeitamente a realidade atual do Brasil. Combatir Al Fascismo, Third World Kids e Duck Parade, são músicas que serviriam perfeitamente de trilha sonora para o caos em que estamos vivendo.

Cerberus Attack está em seu auge. Finalmente esse quarteto está recebendo a devida atenção do público e, principalmente, dos organizadores de eventos.


8 - Mass Mental Devolution - Desalmado

Quando estamos prestes a apreciar um trabalho de uma banda que se enquadra no Grindcore, é óbvio que esperamos uma predominância de velocidade. Pois é, mas o Desalmado conhece tão bem o gênero que em Mass Mental Devolution, o sétimo álbum do quarteto, encontrou brechas para inserir uma sonoridade ampla e cheia de referências do Death Metal, Thrash Metal e até do Hardcore.

Neste trabalho, Caio Augustus (voz), Estevam Romero (guitarra), Bruno Teixeira (baixo) e Ricardo Nutzmann (bateria), aplicaram transições e efeitos sonoros que tornam a imersão do ouvinte mais obscura do que de costume. A faixa título abrindo o álbum e canções como, Across The Land, Hollow, Outsiders e Your God, Your Dictactor, merecem destaque especial pois apresentam a versatilidade do Desalmado.

Mass Mental Devolution foi a cara de 2021: pesado, escuro e claustrofóbico. Sendo assim, não poderia ficar de fora.


9 - Existência - Bayside Kings



Na ativa desde 2010, Bayside Kings é um dos principais representantes do hardcore agressivo, com declaradas influências do NYHC de Agnostic Front, Madball e Sick Of At All. Porém, em junho de 2021 a banda surpreendeu a todos com o lançamento do single Existência, o primeiro do grupo em português, deste single veio o EP com mesmo nome, o primeiro lançamento do Bayside Kings na língua natal. Se os mais puritanos ficaram receosos com uma possível mudança no direcionamento musical do grupo, o mesmo permaneceu intacto, o tradicional e certeiro hardcore veloz e pesado, com os característicos vocais berrados de Milton Aguiar, como podemos ver nas músicas Miragem, Ronin e Alpha e Omega, esta última com participação especial do músico Geovanni Leite no piano. O EP Existência faz parte do projeto #LivreParaTodos, que será o primeiro álbum completo da banda todo em português.




10 - Decomposição - Manger Cadavre?



Rápido, pesado e, principalmente, real. Manger Cadavre? é aquele tipo de banda que satisfaz o ouvinte com verdades que muitos por aí têm medo de dizer ou analisar por conta do choque que poderia gerar. Decomposição é uma continuação caótica de AntiAutoAjuda (2019).

O nível de qualidade das composições deve ser destacado. A canção A Raiva Muda o Mundo conta com uma série de trechos marcantes: Pulsos de corações que ainda batem com raiva / A crença na retaliação nos manteve vivos. Esse aqui é pesado também: Chame de vingança / De justiça, reação/ Chamo de mudança / De esperança / Reparação. Neocolonialismo, Tragédias Previstas e Demônios do Terceiro Mundo são faixas incríveis que sonorizam uma série de impasses do mundo atual.

A sonoridade do álbum é ampla. Tem Crust, tem Death Metal, tem Hardcore Punk. É perfeitamente possível inserir Decomposição entre Extinction, do Nausea, e Dividir & Conquistar, do Dorsal Atlântica, na playlist. É, sem sombra de dúvidas, o melhor trabalho do Manger Cadavre? até aqui. Sim, estão no auge!


11 - Cycle - Endust



Na ativa desde 2015, o Endust é um projeto de prog/thrash metal formado em Jundiaí (SP) pelos amigos Glauco Rezende (guitarra) e Fernando Arouche (bateria), que no ano de 2019 lançou o primeiro álbum All Ends in Dust, com os vocais de Leandro Caçoilo (Viper e ex-Eterna), e no ano de 2021 surgiu repaginado, com o próprio Glauco nos vocais, em uma encarnação ainda mais pesada, lançando o EP Cycle.

Com uma tempestade de influências que vão de Gojira, Nevermore, Symphony X, até chegar no Killswitch Engage, o disquinho de cinco faixas traz, além da faixa título, as canções Seller of Iullusions, Giving Up, You Made Your Choice e a regravação de Only One Will Stand, do álbum anterior, mas desta vez com os vocais guturais de Glauco Rezende. Todas as faixas unindo muito peso e técnica apurada.




12 - Em Carne Viva - Zander



Gravado no mesmo pique de clássicos discos da história, como Exile on Main St. (Rolling Stones) e Blood Sugar Sex Magik (Red Hot Chilli Peppers), nos quais as bandas se isolaram em uma casa para produzir o álbum, Em Carne Viva, o terceiro álbum de estúdio do Zander, foi gravado durante o período pândemico, no Estúdio Romã, uma espécie de estúdio fazenda.

Em Carne Viva é o primeiro disco da banda com nova formação, contando com novo baterista Caique Fermentão (Carlos, Corona Kings, Ator Morto, Putz e Merda), e a sonoridade do disco é aquele tradicional “grungemo” do grupo, que se não reinventa roda, também não faz feio.

Os grandes destaques são as diversas participações especiais que vão desde Lucas Silveira (Fresno) em Desalento, Teco Martins (Rancore) em Algo que Não Machuque, o duo Scatolove em Decolagem, Pouso, esta apelidada pela banda como “Dinosaur Sênior”, pelas semelhanças com a sonoridade do trio de J. Mascis, além de Não Morri de Saudades, com a participação de Popoto (Raça), sendo essa uma das melhores letras da banda.




13 - Mania - Velodkos



Depois do lançamento do elogiadíssimo disco I, em 2018, a rapaziada dos Velodkos chegou em 2021 lançando o EP Mania, via Maxilar Records, selo de propriedade do Gabriel Thomaz, líder dos Autoramas.

Mania compila os três singles lançados pelo trio jundiaiense (SP) entre 2020 e 2021: a quase punk faixa título e as roqueiras Cara Normal e De Bar em Bar, que carregam nas letras aquele pique festeiro regado à bebedeira, já característico da banda, em uma sonoridade Rolling Stones na fase Beggars Banquet (1968).




14 - O Mundo é um Lugar Melhor sem Você - Bong Brigade



Uma grata surpresa nos últimos dois anos foi o surgimento do Bong Brigade, grupo que reúne membros e ex-membros de célebres bandas do underground nacional como: Muzzarelas, Derrota, Drakula, All Jokers, Porrada Solicitada, Labattaria, Lunettes e Radiare. Após o lançamento do álbum Fuck Armageddon… This Is Bong… (2018), o Bong Brigade lançou no ano passado o EP O Mundo é um Lugar Melhor sem Você. Pra quem é fã dos Muzzarelas, a sonoridade, o humor ácido nas letras, além de toda a parte gráfica, segue intacta.

O disco já abre com os gritos de “Bostonazi, Bostonazi, Bostonazi, Panaca”, na singela canção Eu Queria que Você Morresse. Mais ódio ao (des)presidente da república vem na faixa seguinte que leva o título do EP e que diz que “Quando você se for, vai ser só paz, só amor”.




15 - Atentas - Charlotte Matou um Cara



Dois anos depois da estreia que sacudiu a cena underground, as mina da Charlotte Matou um Cara lançaram em 2021 o segundo disco do grupo, Atentas, ainda mais agressivas, pesadas, barulhentas, diretas e verborrágicas em suas essenciais letras.

Com o grito dilacerante de Andrea Dip em Você Quer Me Matar, o disco já abre como uma tijolada na cara veloz que exclama “Seu discurso de ódio é gasolina pro meu molotov”.

As letras, o grande trunfo da banda, seguem excepcionais e necessárias, Angry People Click More fala dos malefícios do consumo de pornografia, Veneno é uma grande autocrítica aos militantes das redes sociais “Seu post ativista não vai adiantar. A resistência é na rua, não se deixe enganar”. Mas o grande destaque de Atentas fica para a versão de Festa Punk, clássico dos gaúchos dos Replicantes, que ganhou uma repaginada na letra citando apenas bandas feministas como Mercenárias, Dominatrix, Ratas Rabiosas, Sapataria, Gulabi, In Vênus, Bioma, Anticorpos e Bertha Lutz.




16 - Motivos para Continuar - Californicks



Para os fãs de hardcore melódico, não há outra excelente pedida no cenário nacional do que a rapaziada do Californicks. Formado na cidade de Mauá, na Grande São Paulo, o quarteto emula o melhor do gênero musical, com muita velocidade e melodia, lembrando em alguns momentos a turma do Saves The Day na obra-prima Through Being Cool (1999).

Em Motivos para Continuar, o segundo EP da carreira do grupo, as cinco canções dialogam perfeitamente com esse referencial sonoro, com destaques para a faixa título, para a enérgica Pra Que se Esconder e Em Meio ao Caos, que conta com uma belíssima linha de baixo na introdução. Os vocais de Rodrigo Marques é o grande trunfo do grupo, fugindo completamente do óbvio do gênero, das vozes melódicas e açucaradas, e entregando uma interpretação autêntica, no elo entre o grave e agressivo.




17 - Reviver - Wry



Os veteranos do Wry têm história no cenário independente nacional. Um dos precursores da cena shoegaze no Brasil nos anos 1990, o grupo de Sorocaba (SP) chegou a se mudar para Londres, no começo dos anos 2000, onde enriqueceu ainda o seu repertório sonoro, integrando a cena underground local por sete anos.

Lançado em 2021, Reviver, o sétimo álbum do grupo, não faz feio a respeitadíssima discografia da banda. Nas 10 músicas do disco, o que temos é aquele rock britânico de ponta com referências gritantes de Slowdive, My Bloody Valentine e Jesus and Mary Chain, os pais do shoegaze, além de Stone Roses, Suede e, é claro, a famosa banda dos irmãos Gallagher.

Entre a barulhenta Speedfreak, a solar Only Human e a contemplativa Farleigh Road, Reviver ainda nos presenteia com duas faixas em português: E.M.C e Campo Profundo.



18 - Energy - Too Steps Back



Um disco que poderia ter sido lançado pela Epitaph Records nos anos 1990. Este é o sentimento após uma audição minuciosa de Energy, o disco de estreia do Too Steps Back, o projeto musical de Robson Dionisio, um jovem de Mairinque, interior de São Paulo, que gravou sozinho todos os instrumentos do álbum (!)

O disco tem claras influências dos primeiros trabalhos do Pennywise, além de muito Bad Religion da trinca No Control (1989), Against The Grain (1990) e Generator (1992), mas muito mais do que referências sonoras, Energy traz a autenticidade e assinatura de compositor que só por esse trabalho já escreveu o seu nome no cenário nacional e merece ser reverenciado.

De destaques do álbum temos a veloz Time to Fight Back, além de Stereologue, New Disease, One Minute Song e Good Citizen, que abre o disco mostrando pra que ele veio.



19 - Kings of Groove - Higher Ground



Fugindo completamente do rock predominante da nossa lista, o álbum de estreia dos jundiaienses (SP) do Higher Ground, apresenta o melhor da soul music e r&b. Kings of Groove poderia ter sido perfeitamente lançado em 1972, pela Motown, dividido a prateleira com Music Of My Mind e Talking Book do Stevie Wonder.

São nove faixas de puro groove e suingue, como nas canções Out of My Way Back Home, Soul Brother, Wall of Sound e Nothin’ But Blu, além das clássicas baladonas arrasa quarteirão, como Do Me Right e I Don’t Wanna Lose You, esta última com destaque para os belíssimos vocais da cantora Galena, que casam perfeitamente no dueto com vocalista e guitarrista Carl Lee D’Angello.

Impossível ficar parado com esse lançamento.




20 - Screaming Soul - Attanos



Formada em Jundiaí (SP), famosa “Terra da Uva” e da banda FISTT, o Attanos é um dos principais nomes do metalcore no cenário independente atual, e Screaming Soul, o segundo disco do quinteto, mostra que a banda caminha a passos largos para se tornar um dos principais representantes do gênero por todo país.

Com claras influências de Killswitch Engage, As I Lay Dying e da fase mais pesada de Avenged Sevenfold, Suicide Silence e Bring Me the Horizon, em Screaming Soul é possível sentir no meio de toda a barulheira, e dos vocais guturais, uma melodia muito bem executada, como é o caso da canção Point. End, além de When The Life Crumbles, The Game, Purify and Clarify e Bad Moments, que conta com a participação especial da cantora Raquel Bruder.



21 - Putz - Putz



Surgida em 2019, a banda Putz já chega com credenciais absurdas: um projeto musical que marca a estreia da vocalista e guitarrista Giovanna Zambianchi, formado também por Cyro Sampaio (menores atos) na guitarra, Sarah C. (Siete Armas) no baixo e Caique Fermentão (Zander, Carlos, Corona Kings, Ator Morto e Merda) na bateria. O seu disco de estreia foi gravado no Estúdio Costella em São Paulo, sob produção de Alexandre Capilé (Sugar Kane), mixagem de Gabriel Zander (Zander e Radical Karma) e lançado pelo selo dos dois, Forever Vacation e Flecha Discos, respectivamente.

Mas com tanta carteirada assim, quando o assunto é música, Putz entrega um bom rock alternativo soturno, que em alguns momentos lembra a fase mais pesada da PJ Harvey em Rid Of Me (1993).

De destaques musicais temos Grave, Temporal, Naquela Manhã e a punk torta Destrói.



22 - Sambarilove - Garrafa Vazia



Desde 2009 na ativa, os reis do punk 77, Garrafa Vazia, chegaram em 2021 trazendo um disquinho curto e direto como eles. O EP Sambarilove é aquilo que já conhecemos do grupo, se falta técnica, produção e requinte, sobra atitude, simplicidade e espontaneidade. Há homenagens a nomes da música brasileira como em Ovelha no Rádio e Adoniran Barbosa, há love song, no melhor estilo fora da lei, com Lata de Spray, assim como há espaço principalmente para o descontentamento político com a faixa de abertura Genocida.

Um disco nada revolucionário, mas extremamente necessário.




23 - The Sounds of The Universe - Gods & Punks



Se a sua praia é stoner/doom/sludge metal, o seu lançamento favorito de 2021 com certeza será The Sounds of The Universe, o quarto disco de estúdio dos cariocas do Gods & Punks.

Com uma sonoridade arrastada, que imediatamente remete aos deuses do stoner metal, como Sleep e Monster Magnet (de onde inclusive vem o nome da banda), além de coisas mais novas do gênero como Monolord, Truckfighters e Uncle Acid and the Deadbeats, o grupo também usa e abusa da psicodelia e cria ambientações musicais fantásticas como nas canções Eye In The Sky, Nebula Haze, Black Apples, Universe e Gravity.

Não é um disco de audição simples, não é recomendado para iniciantes, mas é um deleite e um dos melhores discos do ano para quem já é amante do gênero.



24 - Revolta - Presidente Judas



Com quase três anos de atividades, a Presidente Judas, formada em Cerquilho (SP), traz um som no melhor estilo “feio, sujo e malvado”, mas tudo isso no bom sentido da coisa, claro!

Depois do lançamento do single Idade das Trevas (2019), o grupo lançou em 2021 o EP Revolta que conta com quatro músicas e 12 minutos de pura rebeldia. Além da faixa título, Frenesi e Podres, o disquinho tem como principal destaque Fogo no Senado no qual as vocalistas Sara e Nathalia cantam que “a solução é queimar o senado”.




25 - Safra Sativa - F.Snipes



Pra quem viveu com intensidade a cena underground no começo dos anos 2000, com certeza o nome de Felipe Snipes soa familiar. Integrante em outrora das bandas Porão GB e Bizouro Verde, Felipe se mudou para Miami (EUA), assumiu o alter ego F.Snipes e desde 2020 tem lançado singles com uma sonoridade absurdamente pop punk, como é o caso de Tudo no Seu Tempo (2020), que poderia estar perfeitamente no tracklist de Nimrod (1997) do Green Day.

Em 2021, F.Snipes vem com o seu debut álbum Safra Sativa, que chega mais grudento que chiclete no juízo de criança, tudo absurdamente pop, melódico e colorido, como mostra a própria capa e as músicas Piscina de Ilusões, Benja, Feliz Mundo Novo e o single Manifesto, que conta com a participação especial de Henrike Baliú (Blind Pigs e Armada) e Paulo Rocker & os Rockaways.



26 - Novidade Média - Sugar Kane



Foram tantos projetos e incursões musicais que, em 2021, Alexandre Capilé resolveu finalmente voltar às atenções para a sua banda principal, o Sugar Kane, e lançou um disco de inéditas depois de sete anos.

Novidade Média chega trazendo Vini Zampieri de volta a segunda guitarra e, sonoramente falando, mescla o melhor da banda, que já teve a sua fase hardcore melódico predial, grunge, rock alternativo e punk rock de protesto, que não poderia ser diferente neste disco, que traz o inconformismo com o cenário político atual, além do negacionismo e do conservadorismo nas canções Todo Mundo Burro, Traidor e a faixa título.




27 - Cogumelos de Fumaça - Gricerina



Do lado leste da cidade de São Paulo, precisamente no bairro de Itaquera, o power trio Gricerina faz um “punk marginal”, como a própria banda intitula em suas redes sociais, que em alguns momentos lembra o Ratos de Porão no álbum Descanse em Paz (1986), durante a sua transição do hardcore para o crossover.

Com um disco extremamente político, a começar da capa feita pelo cartunista Leandro Franco, Cogumelos de Fumaça traz nas suas cinco faixas, todo o repúdio e insatisfação com governo Bolsonaro durante o período da pandemia da Covid-19, como fica explícito na letra da faixa título que repete à exaustão o refrão “Agressivo, Famigerado, Militar, Vagabundo". O divertido destaque do EP fica por conta da última faixa, Gricerina Trap, no qual a banda cai de cabeça no tal rap com batidas eletrônicas, gerando uma música no mínimo curiosa.



28 - Baile Macabro - Carniça de Bode



Formada em 2021, a Carniça de Bode conta com membros de célebres bandas do cenário independente, como Lobotomia e RxUxA, além do vocalista Jimmy Luv, que veio da cena ragga. O som do grupo é o mais puro e pesado crossover, a famosa união do punk/hardcore com o thrash metal. Dessa junção nasceu no mês de agosto o EP Baile Macabro, com seis canções do mais puro suco da podridão, no melhor bom sentido da coisa, o disquinho já abre com a insana Maldito, que dá tom ao disco, que segue com a divertida Barulho dos Infernos, com a veloz Jaguço e com a oitentista Não Pare de Lutar.




29 - Todo Mal se Acaba - Acionistas Vienenses



Os Acionistas Vienenses já merecem todo destaque do mundo pelo melhor nome de banda já surgido nos últimos 10 anos. Mas muito mais que um nome criativo, o grupo formado na zona leste de SP tem uma musicalidade absurda que pode ser conferida no mais recente EP do quinteto: Todo Mal se Acaba. Fiéis ao hardcore melódico de No Use For a Name, Strung Out, Frenzal Rhomb e A Wilhelm Scream, nas sete canções do EP o grupo desfila técnica, velocidade e melodia em canções que já nasceram hits como Identificação, Estóico, Panos Limpos, Bucólico e na dramática Todo Mal se Acaba Quando a Verdade se Torna Seu Abrigo.



30 - Cidade Céu - Cidade Céu



Comparar a sonoridade do quinteto jundiaiense (SP) Cidade Céu com os californianos do Red Hot Chili Peppers (principalmente na fase Californication), seria de uma extrema preguiça sem tamanho, mas é impossível não ouvir o EP de estreia do grupo, recheado de grooves e nuances dançantes e não lembrar do grupo do Anthony Kiedis em certos momentos.

Formada em 2018, Cidade Céu lançou o seu primeiro trabalho em junho de 2021, o EP autointitulado, com seis músicas que chamam atenção pelo primoroso trabalho de produção, além, é claro, das letras motivacionais, como é o caso da belíssima Ruínas, com o seu refrão chiclete.

Outros destaques de Cidade Céu EP ficam pra A Hora Mais Escura, Dia Póstumo e Vida.



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