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Bare Knuckle revela sua nova fase musical


Foto: Tita (@titamartinsc)

Por Bruno Galiego


A Bare Knuckle é uma das grandes revelações do cenário independente nos últimos anos quando o assunto é som pesado. Logo no ano de fundação, 2019, quando ainda era um quinteto, a Bare Knukle lançou Primitive e atraiu a atenção de muita gente com canções como Pain e Blacklist.

O empenho nas apresentações ao vivo e a sede de novos experimentos musicais, fizeram com que Alexandre Conchon (vocal), Leonardo Brahemcha (baixo), Vinícius Boneberg (guitarra), André Conchon (bateria) e Roberto Freddi (guitarra), encontrassem em Luiz Imbiriba (sintetizadores e programações) novas possibilidades sonoras. A Bare Knuckle agora é um sexteto e mostra a sua nova fase no single Hummingbird. É difícil rotular a sonoridades deles. A verdade é que os caras estão transitando em tudo, do Hardcore ao Death Metal e do Techno ao Harsh Noise. Eu troquei uma ideia forte com os caras e eles me contaram muito sobre o atual momento da banda. Confere aê!


Seguimos Fortes – A última conversa que tive com o Alexandre Conchon, foi na época do quadro Ideia Forte. Isso foi em julho de 2020. De lá para cá, a Bare Knuckle adicionou integrante e, consequentemente, aumentou o leque de sonoridades. Minha percepção está correta (se sim, pode explicar o que rolou durante esse tempo)?


Bare Knuckle – Salve! Primeiramente, gostaríamos de agradecer imensamente o espaço que estão nos proporcionando.

Com certeza! Durante o nosso confinamento no coração da pandemia, tivemos muito tempo para pensar, maturar e moldar os nossos planejamentos para o futuro da banda. Nessa época, já tínhamos um EP novo 70% concluído, no entanto, foram interrompidas as gravações por conta do nosso distanciamento social.


Um certo dia, o André, nosso baterista, que já havia trabalhado com o Luiz em um projeto de Rap experimental (KONXON & YOTSUE), sugeriu que integrássemos elementos eletrônicos nas músicas novas, resultando na entrada do Luiz na Bare Knuckle. Decidimos começar as músicas do zero, dessa vez com o mais novo integrante e contando com elementos eletrônicos.


Nossas referências eletrônicas variam entre o Industrial, o Techno, o Harsh Noise, dentre muitas outras.

A entrada do Luiz com certeza está marcando uma nova etapa da Bare Knuckle, dando outra cara para o projeto. Gostamos até de brincar que o ele é uma espécie de arma secreta.


Seguimos Fortes – Primitive (2019), o primeiro trabalho da Bare Knuckle, possui uma sonoridade com influências diversas e teve uma ótima aceitação no cenário independente. Como foi o processo criativo de vocês naquele período?

Bare Knuckle – Durante as composições de Primitive, estávamos passando por alguns perrengues, tanto pessoais quanto como banda. Também estávamos passando por uma mudança drástica de formação.


Na época, não tínhamos baixista nem segundo guitarrista. Por sorte do destino, nessa mesma época, o Vinicius conheceu o Roberto em um ponto de ônibus e começaram a trocar ideia sobre música. Pouco tempo depois, o Roberto já era o mais novo guitarrista da Bare Knuckle, nos auxiliando nas composições e gravações do nosso primeiro EP.


O nosso processo criativo foi bem exaustivo. Pela falta de integrantes, 80% das músicas que constam no EP, foram compostas pelo Vinícius, André e Alexandre. Como dito anteriormente, todos nós estávamos passando por problemas pessoais, que mais para a frente, seriam traduzidos em forma de música, resultando no Primitive.


Seguimos Fortes – O Bare Knuckle é o tipo de banda que impressiona nas apresentações ao vivo. É mosh, stage diving e circle pit naquele esquema “tudo ao mesmo tempo agora”. Percebo que vocês possuem uma base de fãs muito fiel – naquela Matinê Hardcore em Jundiaí isso ficou bem evidente. Como vocês lidam com esse entrosamento entre público e banda?


Bare Kncukle – Primeiramente, gostaríamos de mandar um salve para o Samuel Nogueira, do Against X Filé, que nos convidou para nos apresentarmos nesse show insano. A Matinê Hardcore com certeza nos marcou e desejamos muito tocar em Jundiaí novamente.


Acreditamos fielmente na filosofia de que, sem público, não há banda. Os consumidores da nossa arte, seja comprando merch, baixando nossas músicas ou indo em show, são a coisa mais importante que nós temos.


Somos extremamente gratos pelo carinho que andamos recebendo desde o começo da banda.


Seguimos Fortes – Bom, agora vamos falar do novo single de vocês, Hummingbird. A sonoridade é pesada, densa e muito, mas muito sombria. O que vocês buscaram passar para o ouvinte?


Bare Knuckle – O núcleo da música “Hummingbird” é sobre sofrer por desilusão, é um sentimento atordoante que suga as energias físicas e mentais.


O nome da faixa (beija-flor, em português) traça uma analogia direta a esse sentimento sombrio de ser sugado, assim como o beija-flor suga o pólen.


Com a música, buscamos explorar e atingir o ponto fraco de cada ouvinte que já se sentiu exausto por algo ou pela falta de algo.



Bare Knuckle: "Acreditamos fielmente na filosofia de que, sem público, não há banda" | Foto: Tita (@titamartinsc)


Seguimos Fortes – O clipe do single também foi muito comentado no cenário independente. Não é para menos, tem uma ótima produção, edição e atuação. Como que se deu a construção do clipe, quais os envolvidos?


Bare Knuckle – O clipe conta com a colaboração de Maria Demônia (@d3m0n1a), performer e diretora do clipe, que trouxe vários elementos do body horror, terror moderno e símbolos ocultistas. João Freddi (@joao.freddi) estava por trás das câmeras e Giovana Machado (@giovanapm) cuidou da maquiagem.


Como a Maria já estava habituada em fazer performances, todo o roteiro e a direção caiu nas mãos dela.

Acreditamos que conseguimos atingir o nosso objetivo com o clipe, conseguindo traduzir perfeitamente a beleza ímpar de um beija-flor exausto, caracterizado por um anjo arrancando suas asas.


Seguimos Fortes – Imagino que Hummingbird representa uma nova fase da banda, não é? O que podemos esperar da Bare Knuckle daqui para frente?


Bare Knuckle Hummingbird com certeza marca uma nova etapa da banda. Uma etapa muito mais matura e certeira da direção que a banda quer tomar.


O objetivo da Bare Knuckle é encontrar formas alternativas de se consumir e produzir música “pesada”, através de breakdowns, guturais ardidos, passagens eletrônicas e tempos que saem do padrão 4/4.


Além dessas características presentes no metal moderno, vamos incorporar passagens calmas, cantos limpos, guitarras sem distorção e soundscapes tranquilos, com o objetivo de não perder o peso que planejamos desde o início da banda.


Seguimos Fortes – Vi que vocês estão fechados com a Artico Music, um selo que vem garantindo o seu espaço no cenário independente. Como que está sendo trabalhar com eles?

Bare Kncukle – Não temos palavras para descrever quão maravilhoso está sendo trabalhar ao lado da Ártico. Com a chegada deles, o profissionalismo da banda deu um salto avassalador em relação a como costumávamos trabalhar de forma independente. A nossa parceria está sendo incrível e já temos muita coisa planejada para o futuro! Fiquem ligados!


Seguimos Fortes – E as influências sonoras da banda? O que a galera da Bare Knuckle tem escutado ultimamente?


Bare Knuckle – Bom, essa é uma pergunta complexa. Como existem seis membros na banda, é complicado achar um polo em comum nas referências dos integrantes, mas vamos tentar.

Gostamos muito de Loathe, Jesus Piece, Turnstile, Sangue de Bode, Full Of Hell, Gulch, MEE, Show Me The Body, Dead In The Dirt, Escombro, Seeyouspacecowboy, Sabella, Code Orange, Varials, Deftones, Alpha Wolf, Knocked Loose, entre outros.


Saíndo um pouco do metal, curtimos muito Death Grips, Clipping, JPEGMAFIA, N8NOFACE, Lil Ugly Mane, Getter, Title Fight, Gorduratrans, Eliminadorzinho, My Bloody Valentine, entre outros.



Seguimos Fortes - Vamos de indicações. Quais livros | documentários | filmes | podcasts | canais | os integrantes da Bare Knuckle indicam para os nossos leitores?


Bare Knuckle - Na categoria livros, indicamos: Dom Casmurro, Capitães de Areia e Os sofrimentos do jovem Werther


Na categoria documentários, indicamos: A História da Alimentação Brasileira, Cowspiracy e Ilha das Flores.


Na categoria filmes, indicamos: Eyes Wide Shut, Cisne Negro e Raw.


Na categoria podcasts, indicamos: Song Exploder, PodCore e RiffCast.


Na categoria de canais, indicamos: JCS – Criminal Psychology, The Pursuit of Wonder e The Armchair Historian.


Seguimos Fortes – Pode nos adiantar, com exclusividade, os trabalhos que virão em breve (ep, álbum, vinil... rs)? Datas e nomes são muito bem-vindos.


Bare Knuckle – Será um prazer! Em 25 de fevereiro, será lançado em todas as plataformas digitais o nosso segundo EP intitulado We Used To Bloom, que conta com três faixas inéditas e o single Hummingbird.


Além disso, estamos planejando o lançamento de dois playthrough (vídeo cover) de bateria e mais um videoclipe sem data marcada.


Seguimos Fortes – Agora o espaço é de vocês, camaradas! Digam o que quiser


Bare Knuckle – Esperamos de coração que vocês gostem dessa nova etapa. Quem quiser conferir um pouco do nosso trabalho, somos @bareknuckle.bloom em todas as redes sociais!

Gostaríamos de agradecer imensamente o espaço e o convite para participar dessa plataforma tão importante para o cenário independente. Admiramos muito o trabalho de vocês e desejamos muito paz e sucesso na caminhada.


Como o próprio nome já diz, Seguimos Fortes!





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